sábado, 9 de março de 2013
Qual será o próximo movimento?
Continuando o assunto explorado no texto anterior, eu deixo uma pergunta no ar: qual será o próximo movimento musical que irá fazer a cabeça dos brasileiros?
DEpois da Era de Ouro do Rádio, as gravadoras viram que era rentável e interessante explorar um ritmo até a exaustão. Desde então, tivemos as chamadas "ondas", ou "modismos", ou ainda "ciclos". Apenas uma tendência é que dominava as paradas por muito tempo, o que a intelectualidade chamava de monocultura.
Vejam: nos anos 60, tínhamos o samba de morro sendo resgatado, a MPB dos festivais, a Tropicália, o rock psicodélico, e até mesmo os boleros e sambas-canção da chamada música cafona. Mas, embora esses estilos tocassem bastante, as atenções do grande público eram todas para a Jovem Guarda. Na década seguinte, parece que só existia a música de discoteca. Na próxima, vimos a invasão do Rock Brasil, embora a axé-music também tenha feito um sucesso estrondoso.
Nos anos 90, com o avanço da tecnologia, os fenômenos tornaram-se mais efêmeros. Numa única década, assistimos as duplas neo-sertanejas, a lambada, o samba romântico paulista, a segunda onda da axé-music, o funk melody carioca, mais uma vez o samba romântico paulista e também o pagode baiano e o forró universitário. Todos esses ritmos fizeram sucesso merecido, pois falavam a linguagem de gente simples e sem apelar comercialmente.
Hoje, parece que só querem saber de sertanejo universitário e do tal arrocha... na minha humilde opinião, nenhum chega aos pés dos ritmos mencionados anteriormente. A crítica, que adorava lascar o pau no É O Tchan, hoje defende Michel Teló, Gusttavo Lima e outros como a "renovação da música sertaneja". Letras paupérrimas, repetitivas e um ritmo extremamente chato, sem contar as vozes.
Não vou dizer que o pagode atual está melhor, pois não sou hipócrita. Todo mundo sabe que sou pagodeiro, mas coisas como Jeito Moleque me envergonham profundamente. Se fosse para o pagode voltar a ser moda, no lugar dos "sertanejos", eu sinceramente não veria muita diferença.
O ideal seria que surgissem grupos, duplas e cantores nos moldes de antigamente. Músicas feitas com o coração e que vinham para ficar. Todo mundo se lembra do Leandro e Leonardo. Quando toca o Tchan numa festa, ninguém fica parado. Basta cantar um refrão do Katinguelê ou do Só Pra Contrariar para todos soltarem a voz juntos. É isso que está faltando hoje: artistas que saibam conciliar o sucesso com a arte; o momentâneo com a posteridade; refrões fáceis e pegajosos, porém atemporais.
Alguém arrisca um palpite do que virá?
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