quarta-feira, 6 de março de 2013
Música brasileira de ontem e de hoje: o que mudou?
O que se ouvia no rádio há cinco, dez, quinze anos? Em todas as tendências musicais populares, havia predominância no romantismo. Tradição herdada dos poetas do século 19, embora adaptada pelos novos compositores como WAndo, Sullivan e Massadas, Carlos Colla, José Augusto etc.
Havia até piadas como dizer que "dor de cotovelo" era um tema clichê e que qualquer um poderia fazer para ganhar uns trocados... mas, quem reclamava disso, não esperava que fôssemos tomar novos ares na MPB moderna.
Parece que de uma hora para outra, decidimos imitar o que os norte-americanos fazem há pelo menos vinte anos. Valorizar mais a imagem em detrimento do som. A chamada "estética videoclipe" parece estar fazendo a cabeça dos artistas nacionais.
Super-produção, tecnologia de ponta, High Definition, sem contar o visual e as participações especiais de atores/atrizes, modelos etc. Sem trocadilho, já vimos esse filme, anos atrás, pois nomes como É O Tchan, Vinny, Sandy e Júnior, ET e Rodolfo, Os Vagabundos, Pepê e Neném, SNZ, KLB, Os Travessos, (a lista não tem fim) já se utilizavam deste recurso inovador e que trazia público. Clipes meio que inspirados no cinema brasileiro de então, até por que esses ídolos costumavam fazer uma ponta nos filmes do Didi e da Xuxa.
Mas, embora a estética cinematográfica estivesse lá, a música era predominantemente romântica. A temática amorosa sempre foi predominante, por influência de movimentos literários como o ultra-romantismo do século19 (Casimiro de Abreu, Álvares de Azevedo). Já a sonoridade era calcada na música pop.
E hoje, o que mudou? A qualidade da imagem é muito mais avançada, porém as letras das músicas focalizam outros universos. Talvez tenha a ver com as novas demandas, a "nova classe C" abriu um novo nicho de mercado. Notem que as músicas hoje falam de assuntos da classe média (festas, bebedeiras, carros de marca) sob uma visão das classes populares.
O amor, um tema simples, ingênuo e banal (no sentido de ter sido amplamente cantado durante anos, o que fez virar clichê) parece ter ficado para trás. Agora o que vale é curtir a vida nas baladas, chamar a namorada de outro para beijar escondido no banheiro ou comprar um camaro amarelo para mostrar que pode ganhar tudo.
Ora, não importa! Os clipes são bem-produzidos, os cantores são galãs e música tem que ser boa para paquera, não para ouvir.
Os poucos que falam de amor hoje, são alvos de piadas. ULtrapassados e cafonas, como é o sentimento em si... Viva a música moderna e descartável!
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